Folhas de Luar

A flor

No meu cálice há dedos e desejos

Palavras fogosas e cartas rasgadas

De vez em quando uma planta tímida

   assoma em mim...

Recorda-me o jardim onde te desejei

Lentamente como um poema

  impermanente

Escuto as folhas secas onde os peixes

   se deitam....

Lago volumoso de coisas esquecidas

Lateja em mim os restos de uma luz

Da tua luz inóspita a desenvolver-se

  nas palavras

Há musgo nos muros que ainda se

   recordam de nós...

Mel no sexo amarrotado pela

    madrugada...

Chapéu embebido em desejos

Uma cabeça desejosa de perseguir

  a distância

De alcançar a pálida flor da lua.

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