
Abro a boca e sinto vontade de
beijar o vento
A cal branca dos excessos
o ar
Escrevo uma palavra que
comunica
com o rastejar dos dias
Sufoco com o interior dos céus
crepusculares
Esgaravato no meu querer
angustiado
Sinto os olhares das coisas
Quero soltar a única reprodução
de mim
que possuo
Pelo menos aquela de que me
lembro.
Olho para a minha vontade
Sitiada pelas ruas onde invento
histórias
Descubro em cada ser uma
primavera
Vagueio por dentro de mim
Roçando-me pelos sonhos
Invento versos de que me
não lembro
angustio-me
Mas fico sentado nos espaços
da noite
Arrumo-me como uma estante
atemorizada.
Sou o objecto do infalível escuro
Vejo na pele uma tatuagem
Algo parecida com a Agonia
de Schielle
Procuro o fim do dia
Comunico com todos os
espaços
onde as palavras terminam
Saio por aí e invento
algures na noite
Um futuro resto de mim
Imagino uma ave branca
Poisada sobre um livro
Piando sobre os poemas de Holderllin
Imagino fenómenos rastejando
Pelo corpo das fantasias
E no fim do dia
Observo as jarras onde crepita a
minha vontade de florir...